Escolhi ler Férias!,
de Marian Keyes, em um momento oportuno: estou de férias desde 21/12,
retornando somente dia 22/01 ao trabalho! Porém, o destino da personagem
principal desta trama, Rachel Walsh, é diferente do meu (ainda bem!) e não é
nenhum atrativo turístico como Gramado (para onde vou!), é uma clínica de
reabilitação para dependentes químicos em Dublin, na Irlanda. Motivo: Ela vivia erroneamente em Nova Iorque,
dividindo um apartamento com a amiga Brigit, até que perdeu o emprego, levou um
pé na bunda do namorado Luke e sofreu uma overdose.
Diante destes acontecimentos, sua irmã Margaret e seu
cunhado Paul partem de Dublin para Nova Iorque para buscá-la a fim de que os
pais pudessem interná-la no Claustro, embora Rachel afirmasse para toda sua
família que o uso de drogas era apenas para recreação nas baladas de fim de
semana, recusando com veemência o rótulo de toxicômana. Por outro lado, Rachel
até se anima em ser internada, pois acredita que o Claustro é um famoso SPA
frequentado por celebridades. Daí, o título do livro, acredito eu: Férias! (Editora BestBolso; 544 páginas).
Após a internação, dia após dia, Rachel vive numa rotina
regrada e intensa de terapias de grupo no estilo AA e NA, além dos trabalhos em
grupo relacionados à alimentação dos internos e à limpeza do lugar – como num
mutirão. Quando a ficha cai, Rachel revolta-se ao descobrir que não há nenhum
famoso internado e que o lugar não é nenhum SPA. Seus internos são pessoas anônimas
e têm problemas comuns aos dela: de dependência química e, consequentemente, de
relacionamento familiar, passando pelos conflitos internos de negação, de
consciência, de ódio e de aceitação.
Mas, graças à psicoterapia com a severa Josephine (fiquei
morrendo de medo dela!), notamos mudanças comportamentais gritantes nos
personagens internos do Claustro. Rachel, por exemplo, reconhece seus erros e
procura por todos aqueles que fizera sofrer devido ao uso abusivo de drogas.
Ela pede perdão à sua família por ter acreditado que era a única filha de cinco
que não recebia atenção dos pais. Ela também pede perdão à amiga Brigit pelo
mau comportamento em casa e no trabalho e por ter se ressentido ao emprego,
cargo e salário de Brigit - que eram bem melhores. E pede perdão ao namorado
Luke por todos os vexames que ele assistiu quando ela esteve drogada.
A nova vida de Rachel, após internação, mostra também que é
preciso muito amor-próprio e força de vontade para evitar a recaída. Afinal, ao
contrário do Claustro, a vida fora da clínica é de conta própria e risco do
dependente, sem o auxílio e a vigilância de profissionais da saúde. Como a maior
parte da história é não-linear, os capítulos dividem-se em momentos de Rachel
aprontando todas em Nova Iorque e em momentos de Rachel na clínica de reabilitação.
Somente nos capítulos finais nota-se a linearidade, quando Rachel recupera sua
liberdade e terá que aprender a cuidar de si, evitando baladas, drogas e
namoros. Será que ela consegue?
***
Comentário: "A
leitura não fluiu como eu gostaria – durou mais de uma semana. Demorei um
bocado para absorver a história e me envolver com a vida dos personagens. Como
eu não tenho um senso de humor muito aguçado, não encontrei a tal comicidade no
texto de Marian Keyes, ainda prefiro Carole Matthews e Sophie Kinsella na arte
de escrever histórias para leitor rir. No entanto, considerei o texto da autora
muito suave de modo que o tema das drogas seja agradável de ler – até porque o gênero
literário em que se enquadra é o romance e este em específico retrata, nas entrelinhas, as
fases psicológicas pelos quais os dependentes passam e a importância da família
na superação do problema. Obviamente que
o fim de Rachel é muito feliz: de bem com a vida, com a família, com os amigos
e com seu grande amor, ao contrário dos dependentes da vida real – que dificilmente
conseguem superar o vício".

O Desafio Literário 2013 do mês de janeiro é livre. Nesta gincana entre blogueiros, o objetivo é ler no mínimo 12 livros, sendo um por mês e de gêneros literários diferentes. Em fevereiro, os participantes devem ler um livro que os façam rir.
