Menino de engenho

domingo, 29 de novembro de 2009

Menino de engenho, de José Lins do Rego (1901-1957), é um romance que retrata o ciclo da cana-de-açúcar na Paraíba, numa época de transição da produção artesanal (engenho) para produção industrial (usina) e as conseqüentes transformações econômicas e sociais naquela região.

Publicado pela primeira vez em 1932, Menino de engenho, assim como as demais obras do autor (Doidinho, Bangüê, Usina e Fogo Morto) publicadas nos anos subseqüentes, é uma autobiografia de José Lins do Rego que viveu sua infância no engenho do avô, o coronel José Paulino.

A história é narrada pelo personagem principal, o menino Carlinhos que, aos oito anos de idade, é enviado para o Engenho Santa Rosa, após o assassinato da mãe Clarisse. Lá, ele recebe os cuidados do avô materno José Paulino e dos tios Juca, Maria e Sinhazinha.

O avô José Paulino é visto pelo Carlinhos como uma figura de grandiosidade inatingível, pois, o senhor do engenho é o maior proprietário de terras da região, exercendo, portanto, o coronelismo e interferindo no destino de todos aqueles que estão à sua volta.

O tio Juca é quem apresenta a vida no engenho ao Carlinhos e a tia Maria é quem cuida dele com muito amor, ternura e carinho até o dia em que ela se casa, deixando o menino entristecido. Já a tia Sinhazinha, por sua vez, é uma velha tirana que atormenta a vida de Carlinhos e, também, de todos aqueles que vivem no engenho.

Ao findar a história, Carlinhos é enviado para o colégio, aos 12 anos de idade, porém, ele já não é mais aquele garoto ingênuo e inocente que chegara ao Engenho Santa Rosa porque, ao longo do enredo, ele descobre precocemente o prazer do sexo com as negras ex-escravas.

***

Os romances regionalistas de José Lins do Rego pertencem ao segundo tempo do modernismo, que é a fase de consolidação desta corrente literária (1930-1945), e revelam a preocupação do autor com os problemas do Nordeste, tais como: a seca, a escravidão, o cangaço, o cornelismo...

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Menino de engenho foi roteirizado para o cinema em 1965, sob a direção de Walter Lima Jr. O personagem Carlinhos foi interpretado por Sávio Rolim, cuja biografia é revelada no documentário O menino e a bagaceira, de Lúcio Vilar, produzido em 2004.

2 comentários:

  1. Olá Daniella! também estou participando do desafio literário:)
    Sua lista está bem legal:)
    Bj
    Alê

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  2. Alê, que bom que você gostou da minha lista!

    Já estou seguindo seu blog.

    Beijos, bom fim de semana!

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Entre aspas

A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

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