Dois irmãos

domingo, 13 de dezembro de 2009

Publicado pela primeira vez em 2000, o livro Dois irmãos, do autor Milton Hatoum (1952-), conta a história conturbada de uma família imigrante do Líbano, residente em Manaus, nos anos de 1950. Os personagens principais da trama são os gêmeos Yaqub e Omar, filhos de Zana e Halim, irmãos de Rânia.

Yaqub é um homem correto, retraído e estudioso da engenharia civil. Depois de uma temporada de cinco anos no Líbano, ele decide ir para São Paulo com Lívia. Ela é o pivô de uma grave briga com o irmão, na qual Yaqub é esfaqueado no rosto esquerdo por Omar.

Já Omar é um boêmio, mulherengo e baderneiro. Porém, é o filho mais protegido pela mãe que quer tê-lo sempre por perto, longe das pessoas que possam tirá-lo de casa. Omar inveja o sucesso do irmão e almeja prejudicá-lo a qualquer custo, inclusive lhe rouba o passaporte e as economias para entrar nos Estados Unidos.

Domingas é a fiel servente da família. O filho dela, Nael, é quem narra a trama, revelando a memória da família de seu misterioso pai, um dos gêmeos. Cabe ao leitor deduzir se Yaqub ou Omar é o pai do rapaz, pois, o fato não é de todo esclarecido ao longo do enredo.

Halim, o pai dos gêmeos e de Rânia, nunca quis ter filhos. Para ele, os filhos são empecilhos na vida conjugal. Mas, para satisfazer os desejos da insaciável esposa, os filhos foram feitos em momentos de ardente paixão. Porém, o ciúme dele por Zana torna-se obsessão, principalmente, quando ela se dedica ao filho Omar em demasia.

Ao findar a história, Halim morre de desgosto pelo rumo que seu casamento tomou. Domingas morre de cansaço pela vida serviçal que levou. Zana morre de loucura pela falta que o marido lhe faz e pelo sumiço do filho Omar, que é preso numa emboscada policial.

A casa da família é vendida por Yaqub e Rânia fica ressentida com o irmão, considerando-o traidor. Já Nael, o narrador participante, torna-se professor e continua sua vida no quarto dos fundos da mesma casa, cada vez mais próxima ao cortiço da capital amazonense, que está em pleno desenvolvimento e expansão.

Em Dois irmãos, a história das personagens é um exemplo de como os sentimentos negativos, como o ódio e a inveja, destroem as relações familiares (e sociais também!), principalmente, quando não há o perdão, um sentimento que purifica a alma e o coração, eliminando as impurezas de quaisquer ressentimentos.

2 comentários:

  1. Vou bem ver o Milton amanhã de novo, vi na FLIP em 2009 e amanhã o assistirei no Salão do Livro de Guarulhos:-) Beijão!

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  2. Minha mãe é amazonense nascida na av.Joaquim Nabuco e conheceu essa família que tinha uma bonita casa na av.Getúlio Vargas quase esquina com a rua 24 de maio e bem próxima a casa de minha mãe.A irmã de Milton,chamava-se Marlí Hatoun,que na década de 60 casou-se e foi morar no Paraná.Nos anos 70,ao rever à terra,soube,minha mãe que a família já não residia na casa e ela estava bastante deteriorada,como se estivesse abandonada;foi uma tristeza muito grande para minha genitora que é da mesma idade que a sra. Marli e se conheciam bem,parece que estudaram juntas o primário.

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A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

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