Kahlo

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O trabalho da pintora mexicana Frida Kahlo (1907-54) é escandaloso por sua naturalidade. Para compreendê-lo é necessário conhecer sua vida, marcada por grandes tragédias, dores e angústias. Em muitos de seus quadros o auto-retrato é a fonte de inspiração. Nas palavras de Frida, “eu pinto-me porque estou, muitas vezes, sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”.

Nascida em 1907, Frida contraiu poliomielite na infância, o que a deixou manca. Na juventude, aos 18 anos, sofreu um acidente de trânsito quando voltava da escola para casa. O ônibus chocou-se contra um bonde e ela teve múltiplas fraturas. Os seus quadros refletem os momentos pelos quais ela passou. A saúde frágil, a rotina em hospitais, as 35 cirurgias fracassadas e a amputação de uma perna somavam-se ao intenso sofrimento emocional.

Casada com Diego Rivera, a quem amou profundamente, levou uma vida instável e tumultuada. O marido tinha muitas amantes, e Frida compensava as traições com relacionamentos extraconjugais com outros homens e mulheres, também. Teve momentos de felicidade, onde sorria com freqüência e expressava-se com palavrões ditos em alto e bom som, com sua voz grave.

Há quem diga que a arte de Frida é surrealista e primitiva. Embora, ela se autodenominava realista: “Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei minha própria realidade”, dizia. O cerne de seus duzentos quadros, expostos no museu
Casa Azul, no México, fundado por Rivera, em sua homenagem, aborda temas raramente presentes na arte ocidental: nascimento, aborto e menstruação.

Um exemplo é a pintura O que a água me deu, de 1938, considerada sua obra mais surrealista e complexa, com riqueza de detalhes dispostos de forma irracional. É o retrato das alucinações e fantasias da artista. O devaneio na banheira, em que as imagens da morte, dor e sexualidade flutuam na superfície da água, com as pernas de Kahlo representando o seu ponto de vista sobre os pés deformados com o dedão rachado.

As cores vibrantes e as imagens chocantes do corpo mutilado, sangrento, cheio de cicatrizes e o coração para fora dele, descrevem a dor das feridas e a frustração de gravidez interrompida por abortos naturais, em conseqüência da fragilidade do seu corpo. “Pintar completou minha vida. Perdi três filhos, que teriam preenchido minha vida pavorosa. Minha pintura tomou o lugar de tudo isso. Creio que trabalhar é o melhor”, disse.

Mesmo acamada, com sérios problemas de coluna e dores latejantes, amenizadas com morfina, continuou a pintar. E, muito otimista, disse: “Não estou doente. Estou partida. Mas, me sinto feliz por continuar viva enquanto puder pintar”. Em 1954, Frida contraiu uma pneumonia e morreu de embolia pulmonar. Pouco antes de morrer, deixou escrito em um diário: “Espero alegremente a saída. E espero nunca mais voltar. Frida”.

***

A artista mexicana ficou mais conhecida mundo afora depois do lançamento do filme Frida, dirigido por Julie Taymor (Estados Unidos, 2002) com Salma Hayek encenando a pintora do século, uma mulher à frente do seu tempo, com muita liberdade e independência para gozar a vida. Frida, exemplo de superação das dificuldades, nos ensina: “Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?”.

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A editora alemã Taschen publicou, em 2004, o livro biográfico Kahlo, de Andrea Kettenmann. Pelas ilustrações, mergulhamos no universo colorido de Frida e compreendemos que suas obras são tão belas quanto sua passagem pela Terra!

4 comentários:

  1. Morro de vontade de ler esse livro; adorei o filme...

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  2. Ele era uma mulher marcante, nunca li nem vi o filme sobre ela... Mas nunca é tarde XD

    Confira o Prologo do meu livro: O Coração de Salatiel: http://bit.ly/d0Q9st

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  3. Olá querida amiga Daniella,
    Estou aqui para convidá-la a conhecer meu novo blog especializado em Suspenses Românticos, tanto de banca quanto de livraria.

    Amor, Mistério e Sangue

    Espero que goste e o receba com muito carinho, assim como você sempre fez com o Livros de Bia, que também não ficará esquecido!

    Bjs

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  4. Lia, querida! Eu assisti ao filme, comprei o livro na empolgação, mas, não o li ainda... está na listinha para o momento certo, sabe?

    Kézia, parabéns pelo livro! Já conseguiste publicá-lo?

    Bia, não consigo seguir seu novo blog...

    Beijos, bom fim de semana!

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Entre aspas

A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

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