Quando Nietzsche chorou

domingo, 25 de julho de 2010

Quando Nietzsche chorou, de Irvin D. Yalom (1931-), publicado pela Editora Ediouro, é um romance filosófico que retrata o nascimento da psicanálise, cujos personagens principais são, hoje, reconhecidos por sua genialidade: Josef Breuer, Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud.

A história se passa em Viena, no ano de 1882. Lou Salomé procura por Josef Breuer, renomado clínico geral, para que este cure a enxaqueca e a depressão de Friedrich Nietzsche, seu ex-amante. Ela exige urgência no tratamento, pois, caso contrário, a filosofia alemã iria perder um grande pensador.

Sentindo-se pressionado, Dr. Breuer assente. No entanto, é informado de que Nietzsche é irredutível a qualquer tipo de tratamento. Para isso, Lou Salomé sugere que a terapia dialógica fosse aplicada. Dr. Breuer reluta porque, ao tratar a histeria de Anna O., percebeu que esta terapia não era suficiente à cura.

Lou Salomé não lhe dá ouvidos. É insistente. Dr. Breuer aceita o desafio.

Diante de Friedrich Nietzsche, Dr. Breuer sugere a internação em uma clínica, alegando que ambos poderiam inverter seus papeis. Dr. Breuer seria o paciente e Nietzsche o médico. Sua intenção era obter aconselhamento filosófico para curar o seu medo de envelhecer, morrer e ser esquecido, sem gozar a liberdade.

Enquanto Dr. Breuer “limpava a chaminé”, nome dado por Anna O. à terapia dialógica, ele tentava obter informações de Nietzsche que revelassem a origem dos seus males. No entanto, com o passar dos dias, Dr. Breuer percebeu que a doença da alma era bem mais grave que a doença física.

O jovem Sigmund Freud, discípulo de Josef Breuer, entra em cena para discutir o perfil psicológico de Nietzsche com o mestre e, também, para aplicá-lo a hipnose. Dr. Breuer almejava experimentar uma vida que não lhe era atribuída: separado de Mathilde, sua esposa, longe dos filhos e sem as obrigações da medicina.

Fascinado com a experiência da liberdade, vivida pela hipnose, Dr. Breuer comunica Nietzsche a sua cura: não era mais obcecado por Anna O. e desejava sim a vida que vivia. E este revela aquilo que Breuer tanto queria ouvir: suas decepções foram tantas que preferiu a solidão. Uma grande amizade surge entre eles.

***

Quando Nietzsche chorou foi adaptado para o cinema em 2007. Os atores Armand Assante, Bem Cross e Jamie Elman dão vida aos personagens principais.





O Blog Romance Gracinha propôs a leitura de um livro adaptado para o cinema para o Desafio Literário 2010 do mês de julho. Nesta gincana entre blogueiros, o objetivo é ler 12 livros, sendo um por mês e de gêneros literários diferentes. Em agosto, os participantes devem ler um romance policial. Até lá!

7 comentários:

  1. Escolhi este livro porque havia assistido ao filme, o qual eu AMEI!.

    A leitura foi muita rápida, embora o livro tenha mais de 400 páginas e o tema seja tão complexo. O autor soube conduzir o enredo, mantendo a minha atenção até o fim, e entrelaçar realidade e ficção, deixando-me na dúvida se os encontros entre os personagens aconteceram de fato.

    Numa escala de 01 a 05, minha nota para este livro é 04. É um livro que não está entre as minhas preferências literárias, mas, que considero importante sua leitura por tratar de temas filosóficos de um modo tão sutil e agradável. Lembrei-me de acrescentar na lista “O mundo de Sofia”, que foi tão aclamado quanto este.

    Uma frase que considerei genial: “Eu tenho um porquê de viver e posso enfrentar qualquer como”.

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  2. Que bom que encontrei sua resenha aqui no "desafio". Já tinha ouvido uma amiga minha falar muito sobre esse livro e quis presenteá-la, mas ainda não deu (livro no Brasil é mt caro, infelizmente!)
    Gostei do que disse a respeito. Eu nem sabia que já tinha um filme desse livro... Quero assistir agora.

    Bj e bom desafio!!

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  3. Adorei sua resenha. Ainda nao tinha lido nada sobre este livro. Vou ler o livro e ver o filme. Beijos

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  4. Oi, Daniela
    Vc gostou do filme? Eu achei o livro bem superior...bjs

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  5. Oi, Danizinha
    Deve ser um livro importante para elucidação das ideias filosóficas. Eu quero ler. Minha irmã comprou o filme. Creio que prefiro ler antes de ver.

    Beijocas

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  6. Ta ae um livro que nunca tinha me chamado a atenção e de repente, ele começa a fazer sucesso. Assim que tiver um bom tempooo de folga vou ver se leio.

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  7. Meninas, obrigada pelos comentários.

    Obviamente o livro é mais completo do que o filme. Mas os dois são muito bons e eu os recomendo.

    Um beijão a todas!

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Entre aspas

A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

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