A sociedade da neve

domingo, 22 de agosto de 2010

A sociedade da neve (Companhia das Letras; 400 páginas), de Pablo Vierci, é um dos livros que retrata o famoso acidente, ocorrido em 1972, com o avião da Força Aérea do Uruguai que seguia para o Chile, transportando uma equipe de jogadores de rúgbi, mais amigos e familiares, que iriam disputar uma partida amistosa no país. No entanto, o mau tempo e o erro humano provocaram a queda nas montanhas da Cordilheira dos Andes. Das 45 pessoas a bordo, 29 sobreviveram ao impacto do choque, mas somente 16 escaparam com vida milagrosamente após meses de extrema penúria.

Como era impossível localizar o avião branco encalhado em meio à neve branca, as equipes de resgate cancelaram as buscas após dez dias da ocorrência. A notícia foi ouvida pelos sobreviventes por um radinho transistor do próprio avião, consertado precariamente na esperança de emitir e/ou receber sinais que facilitassem o resgate. Dispondo de pouco alimento e nenhuma fonte de calor, mais as dores dos ferimentos e o mal da montanha, eles tomaram a difícil decisão de alimentar-se dos corpos daqueles que morreram. Era preciso formar uma equipe de expedição fortalecida para escalar as montanhas em busca de ajuda.

Para agravar ainda mais a situação, uma avalanche soterrou a parte da fuselagem que abrigava o grupo, matando alguns dos sobreviventes da queda. Foi, então, que os sobreviventes da avalanche decidiram, de uma vez por todas, iniciar a escalada que os levaria de volta para casa. Depois de algumas tentativas frustradas pela conjuntura desumana em que viviam, Nando Parrado e Beto Canessa caminharam por dez dias até que encontraram um vaqueiro que lhes ofereceu alimento e ajuda para resgatar àqueles que tinham ficado para trás, na convivência com a sensação de abandono e na expectativa ansiosa pela salvação.

Em A sociedade da neve, o autor não é uma testemunha ocular desta história, embora tenha convivido com vários dos sobreviventes nos tempos de colégio. O que torna seu enredo diferenciado de Milagre nos Andes é a reunião dos depoimentos – que, até então estavam dispersos – dos 16 sobreviventes e, também, as declarações sobre a visita de uma comitiva, composta por sobreviventes, parentes e amigos, ao local do acidente 34 anos depois do ocorrido.

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Leia um trecho do livro.

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Comentário: “Como ser humano em condições tão desumanas? Este livro revela a capacidade de superação humana diante de situações adversas – mesmo quando se tem a sensação de estar no fim do mundo. Vários são os ensinamentos desta sociedade da neve: liderança para manter o grupo coeso, trabalho em equipe para garantir o bem-estar da coletividade, criatividade para atender as necessidades mais básicas e a capacidade de improvisação (como produzir água a partir do gelo em baixíssima temperatura?), solidariedade e compreensão pela dor do outro... enfim. Como amante da literatura biográfica e de memórias, considerado este livro um dos meus prediletos”.

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A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

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