Entrevista com Janethe Fontes

domingo, 1 de agosto de 2010

Leitura do Momento: Quem é Janethe Fontes?
Janethe Fontes: Sou uma sagitariana de 39 anos apaixonada pela vida, pela família, incluindo meus filhos de quatro patas, e também pela natureza. Pertenço a uma família que, no início dos anos 70, época em que eu nasci, saiu do interior de Pernambuco para tentar a sorte em São Paulo, de tal modo que, durante muito tempo, a luta pela sobrevivência foi a única preocupação dos meus pais. Por isso, os livros não fizeram parte da minha infância.

No início da minha adolescência, porém, a paixão pelos estudos me levou a frequentar a biblioteca da escola. Foi aí que conheci Érico Veríssimo e outros escritores [ela cita também: Machado de Assis, Agatha Christie e Sidney Sheldon no decorrer da entrevista] que despertaram em mim o gosto pela literatura brasileira e também estrangeira, sobretudo os romances e os policiais.

Nessa época, ainda não tinha qualquer plano de ser escritora. Na realidade, sequer me sentia capaz. Minha grande ambição na adolescência e no início da vida adulta era conseguir um bom emprego e fazer um curso superior. Isso dá uma dimensão de como a vida era dura e como a escrita se mantinha distante do meu dia a dia, embora, no fundo do meu coração, a vontade de escrever já tivesse aflorado. Foi somente aos 28 anos de idade, após ler algumas reportagens sobre a violência contra a mulher, que, finalmente, criei coragem para seguir meu coração e comecei a escrever Vítimas do Silêncio [para ler a resenha, clique aqui].

Quais foram suas fontes de inspiração para construção das personagens principais deste livro? Qual sua motivação ao escolher a violência sexual como tema central do enredo?
As personagens não foram baseadas em nenhuma pessoa do meu convívio, graças a Deus. Mas, como assistimos aos casos de violência sexual diariamente na mídia, minhas fontes de inspiração foram as reportagens sobre o assunto. O tema da violência sexual sempre me incomodou e eu não sei explicar o porquê. Uma pessoa adepta ao espiritismo me falou que talvez eu tenha sido vítima da violência em outra vida. Então, se houver realmente reencarnação, quem sabe a resposta esteja no plano espiritual? O sentimento de impotência também me incomoda, então, falar sobre este assunto é uma forma de extinguí-lo.

Além da violência sexual, há outros temas que permeiam a história central de "Vítimas do silêncio", como deficiência física adquirida, corrupção e suicídio. Percebe-se que todos estes conflitos foram muito bem "costurados" ao longo do enredo. Qual foi o momento de maior tensão para solucionar todos estes conflitos de forma a surpreender o leitor no final?
Escrever os dois capítulos finais! Era preciso amarrar todas as pontas sem exatamente colocar o ponto final em toda história. Eu queria deixar algumas janelas abertas para um segundo ou terceiro livro. Acredito que consegui!

Conte-nos como foi o processo de produção da obra, desde a pesquisa até a publicação.
Obviamente que a produção de um livro demanda tempo, por isso, todo processo aconteceu em etapas: primeiro, a vontade de escrever; depois, o desenvolvimento da história na minha mente; em seguida, a organização das ideias. Para pôr a história no papel, eu me dediquei à pesquisa para construir as personagens e as cenas de uma maneira verossímil. Mesmo depois de iniciada a redação do livro, eu interrompi o processo para mais pesquisas até porque a história havia tomado um rumo pouco diferente do que foi pensado no início. De repente, percebi que as personagens tinham vida e passaram a ditar a história para mim.

Em sua opinião, qual é o maior desafio para os autores nacionais (e anônimos) publicarem seus livros?
Os desafios são imensos. O escritor brasileiro, em primeiro lugar, precisa ser imune a desmotivação. Em segundo, ser muito persistente. Conseguir uma editora que realmente invista em novos escritores é quase um milagre. Já enviei alguns exemplares com folhas “coladas” e tive a certeza que a maioria das editoras não se interessa pelo material enviado, simplesmente os devolve sob alegação de que a agenda de lançamentos do ano está fechada. Isso quando o material é devolvido, pois, a maioria não o faz e também não dá qualquer satisfação. É lamentável!

O que você sugere aos aspirantes a escritores para que estes consigam publicar seus trabalhos e vendê-los?
Sejam persistentes, mesmo que, às vezes, tenham vontade de desistir!. Este livro [Vítimas do silêncio] ficou dentro de uma gaveta por quase sete anos, após várias tentativas frustradas de publicá-lo. Eu acredito na frase: “Faça por ti, que Eu (Deus) te ajudarei”.

Você mantém o Blog Palavreando. Como as redes sociais podem ajudar os autores na divulgação dos trabalhos?
O
Blog Palavreando surgiu para divulgar meu trabalho e, também, para eu me comunicar com os leitores que me acompanham há algum tempo, desde quando coloquei meu primeiro livro para crítica e avaliação na internet. Sem dúvida, as redes sociais são uma excelente forma de colocar à prova o seu trabalho. Todos os meus livros foram disponibilizados na rede, por algum tempo, para crítica. Dessa forma, não só conquistei vários seguidores como também amigos virtuais que me dão força para persistir neste caminho.

Você é também autora do livro "Sentimento Fatal" que trata do tema ciúme doentio. Conte-nos sobre este novo trabalho.
Neste trabalho, eu trato do amor exacerbado e do ciúme como uma das formas mais comuns de manifestá-lo, através dos personagens: Rui, o marido ciumento; Daniel, o namoradinho de infância; Adriana, esposa de Rui; e Letícia, a filha do casal. Sob controle, o ciúme pode até apimentar a relação dos casais, mas, sem controle pode acarretar sérios problemas, como a violência doméstica. Atualmente, estou procurando por uma editora para lançar este trabalho.


***

Obrigada pela entrevista, Janethe! Desejamos-lhe boa sorte na publicação deste novo trabalho e muito sucesso na carreira literária!

2 comentários:

  1. Parabéns pela entrevista! Se eu já era sua fã, Janethe, passei a admirá-la muito mais. Vc é uma escritora competente, carismática, cautelosa, dedicada e muito talentosa!
    Fábia Rodrigues

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  2. Que bom que você gostou, Fábia! Obrigada pela visita! Volte sempre!

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Entre aspas

A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

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