Vítimas do silêncio

domingo, 1 de agosto de 2010

Publicado em 2008 pela Editora Universo dos Livros, Vítimas do silêncio é o romance de estreia de Janethe Fontes no mercado editorial brasileiro, que retrata o tema da violência sexual através de duas histórias que se entrelaçam durante o enredo: a da personagem principal Margarida e de sua irmã Suze, que vivem o conflito internamente, e a da personagem secundária Lúcia, que teve o problema exposto à sociedade pelo fato de ser filha de uma autoridade política.

As histórias se passam, ao longo de nove anos (1988-1997), em dois Estados brasileiros: Rio Grande do Sul e São Paulo. Um estudo realizado pela ONG Ipas Brasil, em 2005, publicado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, mostra que os Estados do Sul e do Sudeste ocupam a terceira e a quarta posição no ranking dos casos de estupro registrados pela polícia: são 10,45 e 9,18 para cada 100 mil habitantes, respectivamente.

Os Estados do Centro-Oeste e do Norte são os que têm o maior índice: 11,96 e 11,94, respectivamente. E os do Nordeste, o menor: 5,66. No entanto, infelizmente, estes dados quantitativos não constituem o retrato fiel sobre a situação das vítimas da violência no país. Sabe-se que apenas 10% dos casos são notificados nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.

Os caminhos escolhidos pelas vítimas para enfrentar a situação são diversos: Há mulheres como a personagem Margarida, que preferem fugir a não denunciar o agressor por medo das ameaças - e, com isso, evitar constrangimentos na família. Há quem prefira o suicídio como outra personagem [que eu não vou contar quem é para não antecipar a história]. E há quem enfrente a superexposição em nome da justiça, como Lúcia.

O estudo da ONG Ipas Brasil também revelou que o pai biológico e/ou adotivo, o padrasto e o tio figuram entre os principais agressores. É o caso dos personagens secundários: Carlos, pai de Suze e padrasto de Margarida, e José Luiz, tio de Lúcia. Sobre os locais onde a agressão ocorre, o estudo aponta como os mais comuns: residência da vítima, residência do agressor e locais próximos. Em Vítimas do silêncio, a mãe das meninas, Magnólia, é cega aos fatos que acontecem na sua própria casa, deixando-as expostas e à mercê do agressor, seu marido.

Contudo, percebe-se claramente que realidade e ficção se entrelaçam pela lógica com que o enredo de Vítimas do silêncio foi construído. O discurso é coloquial e mantém-nos atentos até o fim, quando da resolução de todos os conflitos. Sensibilizamo-nos com a causa das mulheres agredidas; repudiamo-nos com as atitudes dos agressores; apaixonamo-nos por William, com quem Margarida reconstroi a vida; sentimo-nos gratos à família de William que a acolheu com tanto amor e carinho. É uma pena que nem todas as mulheres - reais ou fictícias - conseguem voltar a sorrir!


Clique aqui e leia a entrevista completa que fizemos via e-mail com a autora de Vítimas do silêncio, Janethe Fontes.

3 comentários:

  1. Oi, Dani!

    Esse livro deve ser triste de ler... é uma dura realidade das meninas e mulheres expostas a esse tipo de agressão, e o pior e que muitas vezes elas encontram a ajuda necessária.

    Muito boa a resenha! BjO

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  2. O livro não é triste, é real, emocionante, empolgante e nos leva a refletir sobre uma cruel verdade, presente, muitas vezes, ao nosso lado.
    Janethe está de parabéns! O livro é espetacular, abordando tudo com clareza e sensibilidade!
    Fábia Rodrigues

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  3. Meninas, obrigada pelos comentários.

    Mi, o livro não é tão triste assim. Eu diria que é recheado de tramas envolventes que deixam o leitor aflito por resoluções.

    Eu vibrei em todos os momentos pelos quais a Margarida passou.

    Um beijão!

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A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

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