A menina que não sabia ler

domingo, 26 de dezembro de 2010

A fertilidade da imaginação infantil é o tema central do livro A menina que não sabia ler (Editora Leya; 282 páginas), de John Harding. Florence e Giles são duas crianças órfãs que vivem - sob a tutela de um tio extremamente ausente e negligente - na Blithe House, na Nova Inglaterra, junto com os criados John, Meg e Mary e a governanta Srta. Grouse.



Florence passa os dias perambulando pelas dependências da mansão numa ociosidade entediante, até que descobre a biblioteca - um “imenso tesouro de palavras”, na sua descrição. Mas ela não tem a permissão de frequentá-la, nem mesmo de estudar como o irmão mais novo, Giles. Por isso, Florence é A menina que não sabia ler.

No entanto, por meio de suas “bibliotecagens” [adorei esta expressão de Florence para designar as molecagens na biblioteca!] e da autoaprendizagem, ela passa a levar livros para o quarto para lê-los enquanto todos dormem ou, então, para a torre da mansão, de onde ela observa a chegada das visitas que lhe interrompem a leitura furtiva, como Theo, seu amigo estabanado.

Após a morte acidental da preceptora de Giles, Srta. Whitaker, e a chegada da substituta, Srta. Taylor, fatos estranhos acontecem ao redor de Giles, que pode ser sequestrado a qualquer momento. Enquanto a polícia investiga o caso da Srta. Whitaker, Florence investiga os segredos da mansão onde mora, as origens de sua família e as de Srta. Taylor.

Para Florence, a intransigente Srta. Taylor é o fantasma da idiota Srta. Whitaker que voltou para amaldiçoar-lhe, afinal Florence se culpa por não tê-la salvo do afogamento no lago da mansão e, também, se remorde por seus pensamentos mais sórdidos: Srta. Whitaker merecia a morte porque ela não lhe deixava ir até a biblioteca!

E assim como na história de João e Maria, Florence quer salvar seu irmão das maldades da bruxa, tentando desmascará-la diante de todos - até da polícia. Mas como os adultos irão acreditar nas suas descobertas se ela é apenas uma criança com imaginação tão fértil, fruto de seu gosto pela leitura às escondidas?

***

Minha opinião: “Há uma ‘bipolaridade’ na construção textual deste romance. Do lado positivo, o autor conseguiu me manter, do início ao fim, naquela expectativa ansiosa pelos desvendamentos dos mistérios que cercam os personagens principais, os quais são revelados pela Florence, que é a narradora personagem. Do lado negativo, o autor [ou seria o tradutor?] falhou na escolha de palavras muito atuais e, por isso, eu não consegui me transportar para a época retratada, 1891. Durante toda a leitura, a impressão que eu tive é que a história toda se passa na atualidade, numa chácara, por exemplo. De qualquer modo, o romance traz uma mensagem inconteste: a leitura fortifica nosso pensamento”.

O Blog Garota It propôs a leitura de, no mínimo, seis livros para o Desafio de Férias 2010-11 durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Confira a minha lista de leituras!

4 comentários:

  1. Parece ser um livro muito interessante.

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  2. Oi!

    Gostei bastante desse livro, apesar de achar que o final ficou muito além do que a história poderia oferecer.

    Beijos,
    Dri Ornellas
    http://a-menina-do-fim-da-rua.blogspot.com/

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  3. Obrigada pelos comentários, meninas.

    É verdade, Dri!

    Até parece que o autor ficou com preguiça de findar a história com a mesma galhardia que no início e meio...

    Beijo! Beijo!

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  4. Eu não gostei da morte do Theo Van.Hoosier! Afinal, a srta.Taylor era do bem ou do mal?
    Concordo com você, as palavras atualizadas me fizeram pensar num sitio com uma mansão antiga. Tinha horas que eu não sabia se a torre tinha entrada por dentro ou por fora da mansão blith. Por que a mente fértil de uma menina matou seu "amigo" Theo? Não gostei do final, mas queria ler cada linha, louco para descobri-lo. Beijos!

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Entre aspas

A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

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