Música ao longe

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Música ao longe (Editora Globo; 240 páginas) é o terceiro romance do escritor Érico Veríssimo, publicado em 1936. Neste enredo, a doce Clarissa, personagem principal do primeiro romance do autor, está de volta. Agora com 16 anos, ela é professora em Jacarecanga, interior do Rio Grande do Sul, e vive com sua família - os Albuquerque - que está em decadência econômica e moral.

Toda história é entremeada pelos escritos de Clarissa. Em um diário, ela registra tanto os acontecimentos à sua volta quanto seus pensamentos, revelando aos olhos do leitor sua inquietude e tristeza sobre a ascensão da família Gama que, um dia, fora serviçal dos Albuquerque; e a falência do seu pai João de Deus que, mesmo diante das dificuldades financeiras, não perde a pose.

Paralelamente, ela registra também os fatos que envolvem os tios paternos Jovino e Amâncio, que são viciados em bebidas e drogas; a tia idosa Dona Zezé, que vive das lembranças do passado; a tia Cleonice, que é noiva de Pio Pinto há 12 anos[!]; a mãe Dona Clemência, que suporta todos os problemas familiares; e o misterioso Seu Leocádio, um autêntico contador de histórias.

Mas o que marca nesta história é a esperança de Clarissa por um acontecimento que movimente sua vida tão monótona: ela tenta se aproximar do primo arredio Vasco e passa a frequentar matinês com as amigas gêmeas Lia e Léa. No entanto, sua maior decepção foi conhecer o poeta de “Música ao longe”, Paulo Madrigal, o pseudônimo de Anfilóquio Bonfim, o caixeiro viajante!

***

Minha opinião: “Como estou lendo todos os romances de Érico Veríssimo, em ordem cronológica, tenho notado uma característica semelhante que é a doçura textual, o que torna a leitura rápida e agradável. Neste livro, percebe-se que Clarissa está em fase de maturação para vida adulta, mas sem perder sua inocência infantil. Penso como seria o namoro dela com o primo Vasco, cuja personalidade é tão oposta. Será que ela se tornaria uma mulher esperta, como na modernidade?”.

Um comentário:

  1. Acho tão legal isso que tu estás fazendo de ler a obra do Érico em ordem cronológica, acredito que isso seja fundamental para perceber a evolução na escrita. Eu amo Érico, é meu autor favorito comecei com o Tempo e o vento, e nunca mais parei :)
    estrelinhas coloridas...

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A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

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