O país do carnaval

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Publicado em 1931, o livro O país do carnaval (Editora Record; 170 páginas) é o primeiro romance do escritor Jorge Amado, cuja trama se passa no Rio de Janeiro e na Bahia dos anos 1920, período antecedente ao golpe de Estado que haveria por conta da eleição de Julio Prestes para Presidência da República, em oposição ao getulismo.

O enredo envolve o personagem Paulo Rigger, um intelectual brasileiro de formação europeia que, depois de sete anos na França, retorna ao Brasil para militar na vida cultural e política do país. Dos encontros amorosos com Julie e, posteriormente, com Maria de Lourdes, ele se questiona onde reside a verdadeira felicidade: se no prazer da carne ou na pureza do amor.

Ao longo do enredo, as inquietações de Rigger sobre a existência humana são divididas com um grupo de cinco amigos, cujas discussões acaloradas acontecem, principalmente, n’O Estado da Bahia, jornal em que trabalham. Cada um acredita que a verdadeira felicidade e o sentido da vida são alcançados de maneiras diferentes.

Para Ricardo Braz, a verdadeira felicidade está na tranquilidade do casamento [com Ruth]; para Jerônimo Soares, na religião e na fé pela existência de Deus; para José Lopes, na filosofia e na meditação; para A. Gomes, na riqueza e no que se pode comprar com o dinheiro [inclusive as noitadas com as prostitutas]; e para Pedro Ticiano, basta viver por viver sem entender os porquês.

No entanto, diante dos acontecimentos da trama, nenhum deles consegue encontrar a resposta para questão. Desanimado e cansado desta vida tão ingrata, Rigger resolve voltar para Europa, de onde nunca deveria ter saído. Para ele, no país do carnaval, o patriotismo é momentâneo, pois, tudo acaba em festa, até mesmo a discussão intelectual.


***

Minha opinião:
“O romance, embora muito intelectual, é de leitura agradável. Reflete o pensamento masculino sobre a felicidade e o amor. É certo que, na época em que se passa a história, as mulheres viam no matrimônio a possibilidade de ser feliz. Ao contrário dos homens, cujo destino era o estudo - Direito, Engenharia ou Medicina, a orgia e o prestígio social e/ou profissional. O casamento era uma convenção para a qual deveriam apenas exigir a virgindade da mulher, pois, o amor não era tão importante quanto à pureza feminina”.


O Blog Garota It propôs a leitura de, no mínimo, seis livros para o Desafio de Férias 2010-11 durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Confira a minha lista de leituras!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Entre aspas

A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

Seguidores

Últimos Comentários

©LEITURA DO MOMENTO

Todos os Direitos Reservados