Lago dos sonhos

domingo, 29 de maio de 2011

- Lucy, quer ir pescar comigo? Que tal? Já faz um tempão.
- Pai. Por favor. Eu não sou mais criança.
Essas foram as últimas palavras que lhe disse. Horas mais tarde, quando acordei com a luz do dia e vozes urgentes, desci a escada correndo e atravessei o gramado úmido de orvalho até a beira do lado, onde eles haviam retirado meu pai da água. Minha mãe estava ajoelhada na parte rasa e tocava o rosto do marido com as pontas dos dedos. Os lábios e a pele dele estavam azulados. Havia restos de espuma no canto de sua boca e suas pálpebras estavam estranhas, iridescentes. Parece um peixe, pensei, uma ideia louca, mas que pelo menos fez calar as outras, ainda piores, que nunca saíram da minha cabeça: Se eu tivesse ido com ele. Se eu estivesse lá. Se eu simplesmente tivesse dito sim.

Depois de muitos anos, perambulando por diversos países por conta de uma carreira profissional bem-sucedida, Lucy Jarrett está de volta à cidadezinha Lago dos Sonhos para visitar sua mãe que sofrera um acidente sem gravidade. Neste curto período de descanso, Lucy revive o seu passado intensamente.

Ao reencontrar as pessoas com as quais conviveu durante a infância e a adolescência, Lucy percebe que todas elas seguiram suas vidas normalmente, mesmo depois daquela tragédia que vitimara seu pai, enquanto ela tem carregado consigo por anos a fio o sentimento de culpa.

Diante dos fatos que ocorrem na cidade, Lucy percebe que é preciso superar os traumas: sua mãe quer vender a casa da família Jarrett; seu antigo namorado constituiu família e é um próspero artesão de vidros; e seu tio quer construir empreendimentos grandiosos em áreas de preservação ambiental.

A descoberta de um bilhete, uma manta e um vitral leva Lucy até a história de Rose Jarrett, uma antepassada distante até então desconhecida. Sua família conservadora a rejeitou por três motivos: sua participação nos movimentos do sufrágio feminino, pelo abandono de sua única filha e pelo seu envolvimento com Frank Westrum, um famoso artesão de vidros de sua época.

Intrigada com esta história, Lucy aproveita seu tempo livre para uma investigação etnogenealógica, por meio da qual os rumos da família Jarrett serão alterados para outros caminhos nunca antes imaginados. Lucy, então, passa a enxergar ‘com outros olhos’ sua família, a morte do seu pai e sua própria vida.

***

Minha opinião: “É um romance que exige leitura atenciosa e sem pressa, pois está carregado de significados que, se passam despercebidos pelo leitor, podem desvirtuar toda história. Lago dos Sonhos (Editora Arqueiro; 329 páginas), de Kim Edwards, é um livro que fala tanto sobre a interferência dos atos passados sobre os atos presentes quanto o encontro de pessoas que nos servem como uma ponte para a concretização de nossos sonhos”.

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A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

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