A vida em tons de cinza

domingo, 25 de dezembro de 2011

Lançado em agosto de 2011, A vida em tons de cinza (Editora Arqueiro; 240 páginas), de Ruta Sepetys, é um romance histórico que retrata os anos 1940, mais exatamente um período da Segunda Guerra Mundial em que a União Soviética (atual Rússia), do ditador Joseph Stalin, anexa os países bálticos, retirando-os do mapa, e a subsequente invasão nazista. Por conta disso, os povos da Lituânia, Letônia e Estônia, listados como antissoviéticos, foram deportados para Sibéria para trabalharem forçosamente até sucumbirem. Era o plano perfeito para o genocídio.

A história é contada sob o ponto de vista de Lina Vilkas, uma jovem desenhista, fã do pintor expressionista Edvard Munch, cujo sonho de estudar belas artes na capital lituana, Vilnius, é ceifado no dia 14 de junho de 1941, quando a NKVD (atual KGB) invade o seu lar e a obriga a sair junto de sua família já esfacelada pela guerra – seu pai Kostas, um professor universitário, havia sido preso por “saber demais”. Então Lina, sua mãe Elena e seu irmão Jonas teriam que ser corajosos para enfrentar o que estava por vir – sempre juntos, conforme o conselho dado pelo pai antes do “sumiço”.

Do mesmo modo que todos os deportados, separados por gêneros, a família Vilkas é literalmente jogada em um fedorento vagão de trem, usado para carregamento de animais, e passa a enfrentar o frio e a fome, além da dúvida cruel pelo destino incerto, assim como o tempo de duração de toda aquela crueldade. Diante desta situação tão desumana, Lina desenha em papeletes, e até mesmo na poeira do vagão, tudo aquilo que vê e ouve, numa tentativa de deixar rastros para um possível resgate e, também, para se comunicar com seu pai, na esperança de reencontrá-lo.

Sua mãe Elena, por sua vez, revela-se uma mulher forte e altruísta. Muitas vezes, ela não come seu naco de pão para oferecer àqueles que caem adoecidos, sejam crianças, jovens ou idosos, e, ainda, com perseverança, mantém o grupo unido e coeso para que todo o trabalho fosse coletivo. Jonas, na sua inocência de criança, não entende o porquê do ódio dos soviéticos por aquela gente estranha que nada lhes fizeram. Para ele, não fazia menor sentido sofrer tantos maus-tratos. Retornar para casa o mais breve possível era tudo o que Jonas queria – assim como os demais que viajavam naquele trem.

Durante o trajeto que os levariam à Sibéria, os irmãos Vilkas tornam-se amigos de Andrius, um jovem corajoso que, além de conseguir informações secretas sobre os prisioneiros da guerra, rouba alimentos dos soldados da NKVD para felicidade dos deportados. Estes recebem uma ração ínfima de pão pelo trabalho forçado, o qual garante o conforto dos soldados: mesmo em tempos de guerra, eles dormem aquecidos, se vestem e se alimentam bem, e vivem uma rotina confortável, embora o clima na região fosse sempre abaixo de zero grau e, na maior parte do ano, o sol não aparecesse. Enquanto os outros viviam em gulags.

Retratando tanto as intempéries climáticas quanto as desumanas, tanto os encontros quanto os desencontros, A vida em tons de cinza é um livro que revela uma parte esquecida da história da Segunda Guerra Mundial. Os personagens lituanos da família Vilkas, principalmente, dão vozes a um povo que foi praticamente dizimado durante o Stalinismo. O extremo sofrimento pelo qual passaram é assim traduzido por Lina: “Eu me deitei, mas não consegui dormir. Sempre que fechava os olhos, via O grito de Munch, só que o rosto no quadro era o meu”.

O grito, de Edvard Munch, de 1893.
***

Minha opinião: "Depois de ler o livro e assistir ao depoimento da autora Ruta Sepetys sobre os bastidores de A vida em tons de cinza, posso dizer que simplesmente AMEI este livro. Romance histórico é um dos meus gêneros literários favoritos e saber que o genocídio atingiu outros povos - além dos judeus - me instigou a pesquisar mais, a ler mais sobre o assunto, o qual me fascina pela coragem e galhardia com que estas pessoas enfrentaram as atrocidades da guerra, tornando-se para nós exemplos de viver".

4 comentários:

  1. Adoro ler sobre a Segunda Guerra Mundial e não tinha ouvido falar sobre esse livro ainda. Penso que o título se ajusta perfeitamente a essa parte da História.

    Bjs

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  2. Oi Dani!
    Obrigada por visitar o blog e participar do Desafio Literario 2012!!!
    Ja vi o banner ali, e vc esta participando de varios!! UHUUUUU!!! SUPER!!!!
    Seu blog ta lindo, nao conhecia. Obrigada pelo convite, ja estou te seguindo.
    BJAO

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  3. É incrível né? Também vi o vídeo da autora e me emocionei muito com o livro. As vezes - quando o autor é bom - misturar história com literatura resulta em uma coisa espetacular e é exatamente o que é esse livro. Muito bom.

    Beijos,
    Thais P.
    http://thaypriscilla.blogspot.com

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  4. Nossa, que livro!!
    Adorei a sinopse e resenha, parece ao mesmo tempo envolvente, profundo e histórico na medida certa. Já está na lista de leitura e desejados.
    Bjkas!!

    Monique Martins
    MoniqueMar
    @moniquemar

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A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

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