A casa das belas adormecidas

domingo, 8 de abril de 2012

No livro Memória de minhas putas tristes, de Gabriel García Márquez, há uma referência à obra de Yasunari Kawabata, A casa das belas adormecidas, como fonte de inspiração para criação da trama central: um velho jornalista que, na véspera de completar 90 anos, deseja se presentear com “uma noite de amor louco com uma adolescente virgem”. 

Movida pela curiosidade, resolvi ler esta obra oriental, que tem Eguchi como personagem central, um senhor de 67 anos, que frequenta a casa das belas adormecidas. Nela, jovens mulheres virgens dormem profundamente, sob o efeito de entorpecentes, para que os senhores possam contemplar seus corpos nus e relembrar os momentos prazerosos da juventude. 

Para Eguchi, o destino dos velhos é a morte e dos jovens, o amor. E como ele acredita que os velhos não são mais Homens, aproveitar as noites frias ao lado das belas adormecidas é como um consolo pela perda da vitalidade sexual, além de permitir a lembrança de todas as mulheres que tivera em sua vida. E, assim, em boa parte da trama, descobrimos o pensamento de Eguchi sobre a relação entre vida sexual e idade, amor e morte, demonstrando todo o seu desgosto pela vida senil.

***

Comentário: “Agradável e rápida leitura, porém reflexiva. O primor do texto é a descrição do corpo feminino de modo tão sutil e belo, sem vulgaridade e com riqueza de detalhes. Porém, os temas não me agradam: prostituição, drogas e pedofilia. Por isso, não é um livro que entra para minha lista de indicações. Eu diria apenas que vale ser lido em função do livro do Gabo, Memória de minhas putas tristes, que é inspirado em A casa das belas adormecidas. Digo isso porque aprecio Gabo, então sou suspeita para falar.” 


Desafio Literário 2012 do mês de abril tem como tema a leitura de autor oriental. Nesta gincana entre blogueiros, o objetivo é ler no mínimo 12 livros, sendo um por mês e de gêneros literários diferentes. Em maio, os participantes devem ler um livro sobre fatos históricos. 

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A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

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