O piano

domingo, 2 de setembro de 2012


Em O piano (Editora Rocco; 207 páginas), de Jane Campion e Kate Pullinger, Ada e a filha Flora mudam-se da Escócia para Nova Zelândia, pois seu pai lhe arranjara um marido naquele país em período de colonização. Junto à mudança, seu inseparável piano. A viagem, feita por mar, fora extenuante. Mãe, filha e piano enfrentam vento, sol, tempestade e doenças.

Ao chegar à nova terra, ninguém as esperavam. Ali na praia, perdidas, elas ficam até a chegada dos maoris, povos nativos, e de George Baines – que as ajudam a levar toda a bagagem para casa de Alisdair Stewart, o marido. Exceto o piano, para o desespero de Ada, devido ao peso e ao estado de conservação danificado pela viagem.

Quando Ada conhece o marido, imediatamente, pede pela Língua de Sinais, traduzida por Flora, que seu piano seja recolhido na praia. No entanto, arrogante e intransigente, Stewart não lhe permite mais tocá-lo, afinal seus afazeres devem ser apenas domésticos, sendo desnecessários todos os esforços para trazê-lo para casa.

Numa breve fuga, com auxílio de Baines, Ada e Flora vão à praia rever o piano. Ela descobre que ainda é possível sentir o prazer de tocá-lo, embora esteja desafinado. Baines percebe a paixão de Ada por seu piano, encanta-se pela melodia e por ela e nota que o objeto é uma grandiosa oportunidade de negociação.

A proposta de troca do piano por terras é feita à Stewart, o marido de Ada. Este até estranha tal proposta, mas é convencido pelo seu interesse em colonizar terras e pelo “interesse” do outro, Baines – seu capanga, em aprender a tocar o instrumento. Ada, ao mesmo tempo indignada com a transação e inocente, torna-se professora particular.

As aulas são o ápice da trama. Em cada uma delas, Ada é obrigada a tirar uma peça de roupa antes de tocar o piano que não mais lhe pertence. Até que um dia, completamente nua, Baines e Ada tornam os encontros de interesse sexual. Assim, Ada fez o impossível para ter acesso ao piano, sua grande paixão desde que emudecera.

A pequena Flora é uma personagem que mantém o eixo da história. Ela sempre acompanha a mãe para traduzir sua fala gestual. No entanto, Ada não permite que ela assista às aulas de piano à Baines e a menina, muito espoleta, permanece do lado de fora da casa, entretendo-se com os animais da floresta e ouvindo ao longe as músicas tocadas por sua mãe.

Até que um dia, estranhamente, as músicas cessam, e Flora percebe o silêncio reinando naquela “aula”. Pé por pé, a menina aproxima-se do buraco na parede de madeira da casa e descobre sua mãe relacionando-se com Baines. Nesta história toda, ele jamais fora aluno. As aulas nada mais eram que desculpas.

O marido de Ada, de início, não percebe que a troca do piano por terras, na verdade, era a venda do corpo e da alma de sua mulher. Nem mesmo Ada notara que era objeto de desejo. No entanto, com o passar dos encontros, o que era sacanagem passa a ser uma ardente história de amor. Ada se apaixona por Baines, Stewart descobre a traição, e violenta Ada.

Mas a história não finaliza assim. Há muito drama e emoção pela frente, as quais eu não irei contar aqui. Embora a leitura tenha se arrastado, recomendo-o, pois, a história é muito bem construída e nos prende do início ao fim. Roteirizado para o cinema em 1993, as atrizes Holly Hunter e Anna Paquin interpretam mãe e filha. Ambas ganharam o Oscar.

Um comentário:

  1. Primeiro, adorei a capa. O enredo me atraiu muito, e fez ressurgir em mim a vontade de ver o filme e, agora, de ler o livro (que acabei de descobrir que existe, achava que era só filme).
    Lembro quando esse filme estreou no cinema, eu tinha 6 aninhos e não sabia do que se tratava, mas lembro de ver o cartaz e ter vontade de assisti-lo haha.

    bj
    escrevendoloucamente.blogspot.com

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A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

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