Férias!

domingo, 6 de janeiro de 2013


Escolhi ler Férias!, de Marian Keyes, em um momento oportuno: estou de férias desde 21/12, retornando somente dia 22/01 ao trabalho! Porém, o destino da personagem principal desta trama, Rachel Walsh, é diferente do meu (ainda bem!) e não é nenhum atrativo turístico como Gramado (para onde vou!), é uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Dublin, na Irlanda.  Motivo: Ela vivia erroneamente em Nova Iorque, dividindo um apartamento com a amiga Brigit, até que perdeu o emprego, levou um pé na bunda do namorado Luke e sofreu uma overdose.

Diante destes acontecimentos, sua irmã Margaret e seu cunhado Paul partem de Dublin para Nova Iorque para buscá-la a fim de que os pais pudessem interná-la no Claustro, embora Rachel afirmasse para toda sua família que o uso de drogas era apenas para recreação nas baladas de fim de semana, recusando com veemência o rótulo de toxicômana. Por outro lado, Rachel até se anima em ser internada, pois acredita que o Claustro é um famoso SPA frequentado por celebridades. Daí, o título do livro, acredito eu: Férias! (Editora BestBolso; 544 páginas).

Após a internação, dia após dia, Rachel vive numa rotina regrada e intensa de terapias de grupo no estilo AA e NA, além dos trabalhos em grupo relacionados à alimentação dos internos e à limpeza do lugar – como num mutirão. Quando a ficha cai, Rachel revolta-se ao descobrir que não há nenhum famoso internado e que o lugar não é nenhum SPA. Seus internos são pessoas anônimas e têm problemas comuns aos dela: de dependência química e, consequentemente, de relacionamento familiar, passando pelos conflitos internos de negação, de consciência, de ódio e de aceitação.

Mas, graças à psicoterapia com a severa Josephine (fiquei morrendo de medo dela!), notamos mudanças comportamentais gritantes nos personagens internos do Claustro. Rachel, por exemplo, reconhece seus erros e procura por todos aqueles que fizera sofrer devido ao uso abusivo de drogas. Ela pede perdão à sua família por ter acreditado que era a única filha de cinco que não recebia atenção dos pais. Ela também pede perdão à amiga Brigit pelo mau comportamento em casa e no trabalho e por ter se ressentido ao emprego, cargo e salário de Brigit - que eram bem melhores. E pede perdão ao namorado Luke por todos os vexames que ele assistiu quando ela esteve drogada.

A nova vida de Rachel, após internação, mostra também que é preciso muito amor-próprio e força de vontade para evitar a recaída. Afinal, ao contrário do Claustro, a vida fora da clínica é de conta própria e risco do dependente, sem o auxílio e a vigilância de profissionais da saúde. Como a maior parte da história é não-linear, os capítulos dividem-se em momentos de Rachel aprontando todas em Nova Iorque e em momentos de Rachel na clínica de reabilitação. Somente nos capítulos finais nota-se a linearidade, quando Rachel recupera sua liberdade e terá que aprender a cuidar de si, evitando baladas, drogas e namoros. Será que ela consegue?

***

Comentário:
 "A leitura não fluiu como eu gostaria – durou mais de uma semana. Demorei um bocado para absorver a história e me envolver com a vida dos personagens. Como eu não tenho um senso de humor muito aguçado, não encontrei a tal comicidade no texto de Marian Keyes, ainda prefiro Carole Matthews e Sophie Kinsella na arte de escrever histórias para leitor rir. No entanto, considerei o texto da autora muito suave de modo que o tema das drogas seja agradável de ler – até porque o gênero literário em que se enquadra é o romance e este em específico retrata, nas entrelinhas, as fases psicológicas pelos quais os dependentes passam e a importância da família na superação do problema. Obviamente que o fim de Rachel é muito feliz: de bem com a vida, com a família, com os amigos e com seu grande amor, ao contrário dos dependentes da vida real – que dificilmente conseguem superar o vício".


Desafio Literário 2013 do mês de janeiro é livre. Nesta gincana entre blogueiros, o objetivo é ler no mínimo 12 livros, sendo um por mês e de gêneros literários diferentes. Em fevereiro, os participantes devem ler um livro que os façam rir. 

6 comentários:

  1. Também li este livro quando estava de Férias mas foi meio que uma decepção. Tinha lido anteriormente outro livro da autora (Melancia) e eu tinha adorado o jeito que ela narrava, o jeito que a autora lidava com a situação da protagonista. Infelizmente Férias não me agradou tanto quanto os outros livros que li da Marian mas ainda assim, continuo gostando de varios livros dela e ainda pretendo ler muitos outros.


    Beijinhos,
    Thais Priscilla
    http://thaypriscilla.blogspot.com

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    1. Oi, Thais! Obrigada pelo comentário! Agora estou lendo Los Angeles. Em breve, postarei a resenha aqui. Considero-o bem melhor que Férias! Confesso que também fiquei meio decepcionada, pois o título do livro é incongruente com a trama, pois estar numa clínica de reabilitação não é bem estar de Férias, né? Acho que por isso demorei muito tempo para ler e para me envolver com os personagens. Abs. e boa semana pra ti.

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  2. Oi Daniella, fiquei feliz com sua visita e vim agradecer,obrigada querida por me visitar e participar do meu concurso!! Seja muito bem vinda ao meu blog!!
    Vim retribuir adorei seu cantinho, um espaço falando sobre leitura é tudo de bom, parabéns! Claro que já fiquei por aqui te seguindo!! Beijinhos e uma linda semana.

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  3. Bom dia!!

    Faço parte do Desafio 2013 e estrou amando as dicas, uma forma de conhecer outras possibilidades de leituras e amigos blogueiros!!!!

    Bjins

    FLYRoBrasileira

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    1. Obrigada, Roseli, pela visita!

      Para mim, o melhor do DL é isso mesmo: a descoberta das preferências literárias.

      Abs. e bom fim de semana!

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Entre aspas

A palavra amor é um eufemismo para abrandar um pouco a verdade ferina da palavra cio.
Fisiologicamente, verdadeiramente, amor e cio vêm a ser uma coisa só.
(Júlio Ribeiro, 1845-1890)

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